terça-feira, 11 de julho de 2017

tomar café?

- Queres ir tomar café um dia destes? - dizia ele.
Claro que a minha resposta a uma pergunta destas é sempre a mesma.
- Convidas-me para um café se, por acaso, me vires por aí.
Resposta estúpida? Estranha? Talvez.
Tomar café, nunca entendi. Sei bem que não é tomar café. É simplesmente uma força de expressão.
Mas é tão básico. É tão cliché. Como as rosas, e eu nunca gostei de rosas.
Perguntou-me várias vezes o mesmo, no entanto, cansou. Cansou de não lhe ter dado a oportunidade. Tudo bem, juro que compreendo.
Mas, compreende que eu não sou mulher de cafés, e acredita, amo cafeína, é uma boa droga como tantas outras.
Não sou mulher de cafés, como não sou mulher de rosas, lamento pela personalidade que carrego a que não estás habituado. 
Sou complicada, também sei e tu também, por isso é que me perguntas-te incessantemente a mesma coisa e incessantemente a minha resposta foi sempre a mesma.
Convidaste-me para consumir outras drogas, porque sabias também que sou uma mulher de vícios.
Os meus vícios são tantos, um deles é ser aquilo que sou e nunca conseguir mudar. 
Quis muitas vezes desfazer-me desse vício, de ser eu mesma sem desculpas. Mas no entanto, os psiquiatras são caros, e este vício não me custa nada.
Nunca mais me perguntas-te essa pergunta estúpida, e como um vício, senti falta dela. Mas como não estou preparada para deixar os meus vícios por esse, lamento, a minha resposta será sempre a mesma.
- Convidas-me para um café se, por acaso, me vires por aí.
Se me vires por aí vais perceber, e depois de me vires tantas vezes vais entender, que um café para começar, não é de todo um ponto de partida.
Sou complicada e tu sabes, e um café é simples. Eu sou uma corda cheia de nós, difíceis de desfazer. A real questão aqui, e esta sou eu que te faço: - Se gostas de coisas complicadas porque é que viraste as costas?

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