segunda-feira, 31 de outubro de 2016

C de Saudade.

Não sei se algum dia te vou conseguir dizer adeus. Porque aqui até as pedras da calçada que me fazem cair, me apaixonam.
Todos os dias me apaixono por esta cidade, mesmo quando nem saio de casa.
Ás vezes estou só no autocarro e olho pela janela, e tudo dentro de mim sorri, porque estou em Coimbra e esta cidade não é uma qualquer.
Não sei se algum dia vou sentir o mesmo numa outra cidade, mas algo me diz que, se há sentimentos irreplicáveis, o que todos são, este é ainda mais irreplicável, ainda mais único…
Não sei se algum dia vou esquecer que vivi aqui. Que sonhei aqui. Que chorei, que cai, que corri, que saltei, que gritei, que senti tanto, e que aprendi tanto. Será que vou esquecer? Talvez nos caminhos da senilidade, mas mesmo assim, algo me diz que nem no poço mais fundo do esquecimento, esta cidade se vai desgastar de mim.
Não sei se algum dia, alguma cidade, em algum sitio, se faça um lar como Coimbra se fez.

Não sei se os caminhos perdidos que aqui caminhei, terão um lugar certo para chegar como esta cidade tem. Não há caminhos em que eu me perca, que eu não ganhe mais um pouco. Ganho todos os dias nesta cidade, vida principalmente. Não há nada que me faça melhor.
Se as noites já me apaixonavam, agora apaixonam mais ainda porque não há noites aqui, que não se cravem no coração.
Sei, sem dúvida, que não há outra cidade que rime com saudade como esta, Coimbra.
Para alguns pode não rimar, mas aos meus ouvidos é poesia.
E os rodopios que a minha capa dá, é a melhor dança do mundo inteiro, e não há maior orgulho do que esta dança em cima dos meus ombros.
Isto tudo para dizer que:
Não sei se algum dia te vou conseguir dizer adeus, Coimbra.

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