domingo, 29 de março de 2015

para Halguém.

Não são vozes a falar-me de baixinho, nem memórias a teimarem para serem lembradas acho que são sentimentos incertos ainda a baterem no coração e a curiosidade cravada em mim que nunca consegui satisfazer. Questiono-me se tinhas ideia do que realmente me ia na mente, e questiono-me mais fortemente e constantemente se te "lembras" de mim como eu me "lembro" de ti.
Sempre achei que éramos pedaços do mesmo material, que éramos almas errantes à espera de se conhecerem mas também sempre tive uma vozinha interior que me dizia que tal ideia maluca nunca te passou pela mente. E agora que se passaram tantos anos eu só queria ter a certeza daquilo que para mim sempre foi uma incógnita. O mais inquietante é que julguei que este assunto delicado para mim se ia desvanecer da memória por completo e nunca aconteceu, nem eu estando na dita idade adulta isso acontece. Raios partam este espírito louco e inocente! Já tenho idade para ter juízo como diria qualquer pessoa com os pontos nos i's e com a vida encaminhada para lado nenhum mas pronto, a verdade é que cismo em acreditar no destino. Mas porquê? De todos os meus defeitos este tem de ser definitivamente o pior deles todos. Às vezes acho que parte de mim ainda paira nesse espaço de tempo passado e que é por isso que isto não me larga. Mas depois dou uma de estúpida e acho que é por alguma razão transcendente.
Só sei que te procuro em todos os lados, mesmo quando acho que não procuro nada, e que observo todos os traços à procura de um vislumbre daqueles que foram os traços que só imaginei. Procuro em todos os olhos, os teus olhos e sei de uma forma inexplicável que ainda não encontrei mas que encontrarei como que por mero acaso. Já indaguei demais sem saber que o fazia e não sei por quanto tempo o farei, talvez até encontrar aquilo que a curiosidade e o mistério não me deixam descansar na procura, não sei bem.
Achava-me suficientemente certa de que não queria nada disto e agora dou por mim a querer e pior ainda, a necessitar.




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