sábado, 20 de dezembro de 2014

Sempre tive um deslumbre por olhos. Nunca foi exactamente a cor que me fascinou, mas também. Era outra coisa. Qualquer coisa que os olhos pareciam falar e que nada conseguia traduzir. Sinto que poderia entender qualquer pessoa no mundo só olhando-a nos olhos, entender um poema inteiro, ler um livro completo só olhando, coisa que nem um poliglota poderia fazer.
Costumava olhar as pessoas nos olhos, talvez na procura de palavras que faltavam em mim e eu tinha tanto para dizer. Buscava constantemente, não sei bem o quê. Nunca encontrei. Agora que já não tenho nada para dizer baixo a cabeça, já não olho mais nos olhos, talvez eu já não precise daquela busca incessante de algo para me preencher ou talvez eu esteja só perdida de uma forma que antes nunca estive, só que desta vez eu sei que o que antes eu procurava se perdeu e temo que não encontre o retorno.

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