segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

H de Imaginação, de Destino e de Quimera.

Imaginei só que um dia nos encontraríamos sob os cobertores, deitados no sofá, a chuva e o frio lá fora, e nós entre os poemas e os livros, lendo-os baixinho um para o outro, tu a entender as entrelinhas, a ler o meu toque e eu com os olhos a brilhar e a desfazer-me por dentro com a tua ternura disfarçada e estranhamente tímida. A caneca de chá em cima da mesa para mim e uma taça gigante de pipocas porque eu sei tu adoras. Só nós e o Outono, afogados naquela cumplicidade soberba. Deitas a tua cabeça no meu peito e adormeces, tão absorvido pelo cansaço, calmo e acho que não há nada de mais maravilhoso na minha vida do que ver-te dormir encostado a mim como se não houvesse mais nenhum sítio que tu preferisses adormecer.
Imaginei-te acordar sobressaltado porque te esqueceste que me prometeste que fazias o jantar e eu a rir-me que nem uma doida da cara que fizeste quando acordas-te. Vejo-te a correr para a cozinha, a tropeçar, porque és tão desajeitado e tão trapalhão e são as qualidades que mais amo em ti. Fazes o jantar, mas nunca fazes sobremesa mesmo sabendo que amo qualquer coisa doce depois das refeições, a tua sobremesa é outra, e eu era capaz de deixar o meu desejo pelos doces e substituir com o meu desejo por ti.
Dormiste a tarde toda e agora não consegues dormir, ficamos toda a noite acordados, eu a beber café para manter os olhos abertos e tu a olhar para mim atentamente como quem analisa uma pintura de museu… Imaginei tantos momentos, momentos esses que sei que não vou ter contigo, talvez com outra pessoa…
Os teus olhos verdes, o teu jeito extremamente desajeitado, e a tua voz maravilhosa a acompanhar a música que ouvimos, cantas tão bem que me distraio de todo o mundo só para te ouvir.
Imagino mais uma vez, o dia em que te vejo pela primeira vez, perco a fala e o chão. O tempo parou ali e não posso acreditar no presente que espero há anos do destino, tu.


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